Uma das áreas mais promissoras da biologia atualmente é a "ômica". É um termo abrangente para diversas tecnologias de alto rendimento que permitem aos pesquisadores estudar sistemas biológicos em larga escala, e provavelmente está presente em pelo menos metade dos artigos que leio semanalmente. A genômica sequencia o DNA, a transcriptômica identifica quais genes estão ativos, a proteômica cataloga proteínas e a metabolômica traça o perfil das pequenas moléculas nas células. A ômica engloba até mesmo a iônica. o estudo da composição química das plantasÉ um conjunto de ferramentas que está transformando a forma como entendemos tudo, desde simbioses micorrízicas até respostas de estresse em culturas agrícolas. Mas essas tecnologias não são baratas e não estão igualmente disponíveis.

Executar um pipeline genômico exige não apenas equipamentos de sequenciamento, mas também conhecimento em bioinformática, infraestrutura computacional e, frequentemente, acesso a bancos de dados de referência bem abastecidos. Para pesquisadores em instituições ou países onde esses recursos são limitados, linhas de pesquisa inteiras podem ser efetivamente bloqueadas. Isso não apenas molda as carreiras individuais, mas também quais perguntas são feitas e quais ecossistemas são estudados. É um problema, mas qual a sua dimensão?

Uma equipe internacional vai descobrir. Eles estão perguntando a pesquisadores de todo o mundo qual o acesso que eles têm às ferramentas 'ômicas'. A pesquisa, desenvolvida após um workshop na [instituição/empresa], [instituição/empresa]. 45º Simpósio de Novos Fitologistas no BrasilO objetivo é mapear onde existem lacunas de acesso e o que pode ser feito para resolvê-las. Você não precisa ter experiência em "ômica" para participar. Na verdade, ouvir pesquisadores que não têm acesso a essas informações é justamente a proposta.

Débora NarhUm dos cientistas que lideram este projeto disse que a ideia de entrevistar pesquisadores surgiu durante o simpósio:

Durante o segundo dia do Workshop Pré-Conferência da New Phytologist, intitulado "Aplicação de multiômicas às interações planta-fungo", realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Brasil, nos dias 24 e 25 de junho de 2024, os participantes deveriam desenvolver o conceito para um artigo de Recursos da Comunidade na New Phytologist. Esperava-se que esses artigos fornecessem uma visão geral metodológica de um tópico "de significativo uso e interesse para a comunidade de ciências vegetais". Durante as discussões realizadas nesta seção, ficou evidente que a maioria dos participantes estava preocupada com o acesso limitado às tecnologias ômicas e como isso impactou/poderia impactar seus resultados e trabalhos de pesquisa, enquanto outros observaram que não haviam considerado as disparidades na alocação de recursos para pesquisa ômica. Surgiu também a questão: "O que é ciência suficientemente boa na ausência desses recursos?". Essa questão foi então anotada como um possível tópico de pesquisa para um brainstorming mais aprofundado, com uma grande parte dos participantes do workshop se voluntariando para formar um grupo para abordar essas questões.

É uma questão importante a ser abordada se quisermos que todos os talentos participem da ciência, pois Jason Hoeksema at a Universidade do Mississippi deixa claro:

Os avanços nas tecnologias baseadas em ômicas aceleraram os esforços de pesquisa, mas esses avanços podem estar impulsionando desigualdades na pesquisa em todo o mundo. Esta pesquisa visa compreender se, e em que medida, o acesso a tecnologias emergentes afeta a comunidade científica global e/ou os resultados da pesquisa. Os resultados da pesquisa ajudarão, portanto, a identificar potenciais "pontos críticos de acesso", "áreas vulneráveis" e possíveis soluções, que irão orientar políticas acadêmicas e sociais para promover o acesso equitativo às tecnologias baseadas em ômicas.

Se você quiser participar, aqui está o e-mail com o convite para colaboradores:


Caros colegas,

Meu nome é Jason Hoeksema e sou professor do Departamento de Biologia da Universidade do Mississippi.

Escrevo para perguntar se você e outros membros do seu grupo ou instituição estariam dispostos a participar de um estudo de pesquisa cujo objetivo é compreender se, e em que medida, o acesso às tecnologias ômicas emergentes afeta a comunidade científica global e/ou os resultados da pesquisa. Nossas análises ajudarão, portanto, a identificar potenciais "pontos críticos de acesso", "áreas vulneráveis" e possíveis soluções, que irão subsidiar políticas acadêmicas e sociais para promover o acesso equitativo às tecnologias ômicas.

A tradução está disponível em 13 idiomas, incluindo os mais usados ​​na ciência. Algumas traduções incluídas não foram revisadas por falantes nativos.

Aceitaremos respostas até 1º de março de 2026. Certifique-se de preencher e enviar a pesquisa (usando a seta na parte inferior da última página) antes do prazo final.

A equipe de pesquisa responsável por este levantamento é composta por pesquisadores em diferentes estágios de carreira e de diferentes países do mundo, que participaram de um workshop durante o 45º Simpósio de Novos Fitologistas, realizado no Brasil em junho de 2024, bem como outros cientistas que participaram do simpósio e/ou foram convidados a colaborar.

Sua participação é totalmente voluntária e suas respostas permanecerão estritamente confidenciais e anônimas. Não é necessário ter conhecimento e/ou experiência em tecnologias ômicas para participar desta pesquisa. Esta pesquisa levará aproximadamente de 15 a 20 minutos do seu tempo e será realizada online, por meio da plataforma Qualtrics.

Ao prosseguir, você confirma que compreende o objetivo deste estudo e concorda em participar. Este estudo foi revisado e considerado isento de revisão pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade do Mississippi.

Agradecemos o tempo dedicado à participação nesta pesquisa. Suas respostas são essenciais para este estudo, e seu feedback sincero é muito importante para nós.

Caso tenha alguma dúvida sobre o estudo, entre em contato comigo.

Para participar deste estudo, clique neste link: https://uofmississippi.qualtrics.com/jfe/form/SV_0OO2XdqgPb84uyi

Por favor, encaminhe ou compartilhe este e-mail com qualquer grupo ou indivíduo que possa estar interessado em preenchê-lo.

Agradecemos por dedicar seu tempo para nos ajudar nesta pesquisa.

Jason Hoeksema


Imagem da capa: Cacto-corrente (Rhipsalis paradoxa) em Campinas, Brasil, por Pedro Álvaro Neves/iNaturalist CC-BY-NC