Na natureza, nenhuma espécie existe isoladamente. Todo ser vivo faz parte de uma vasta teia de conexões. Algumas conexões são entre predador e presa, como leões caçando zebras. Outras são parcerias silenciosas em que as espécies se ajudam mutuamente a sobreviver, como a que existe entre árvores e formigas. Algumas árvores fornecem alimento e abrigo para as formigas e, em troca, as formigas protegem as plantas dos herbívoros. Essas parcerias são chamadas de códons. mutualismosE elas moldam ecossistemas inteiros.

Nas savanas da África Oriental, árvores de acácias e nativo Crematogáster formigas Existiam um sistema mutualístico. As árvores ofereciam néctar e espinhos ocos como abrigo. As formigas defendiam as árvores contra elefantes e outros herbívoros. Essa parceria ajudava a manter uma paisagem saudável, com áreas sombreadas, esconderijos para presas e crescimento equilibrado das plantas. As interações entre formigas, árvores, elefantes, zebras e leões criavam um ecossistema complexo, porém estável.

No entanto, esse equilíbrio foi perturbado quando invasores formigas cabeçudas Vindas de ilhas do Oceano Índico, as formigas nativas dizimaram as formigas-de-espinho. Sem seus guardiões, as acácias-de-espinho tornaram-se vulneráveis. Os elefantes começaram a derrubá-las, abrindo caminho na copa das árvores. De repente, áreas antes sombreadas e protegidas tornaram-se abertas e expostas.

Fascinado por esse cenário, Douglas N. Kamaru e sua equipe decidiram estudar as consequências dessa invasão.Eles realizaram um experimento em áreas invadidas e não invadidas. Algumas parcelas foram cercadas para impedir a entrada de elefantes, enquanto outras foram deixadas abertas.

Descobriram que, em áreas dominadas por formigas invasoras e frequentadas por elefantes, a visibilidade aumentava porque as árvores caídas deixavam a paisagem mais aberta. Como resultado, os leões tinham muito mais dificuldade em caçar zebras. Em áreas não invadidas, os leões mataram quase três vezes mais zebras do que em áreas invadidas.

Este estudo ilustra como uma única espécie pequena pode desencadear uma cascata de efeitos em todo um ecossistema. A invasão de formigas interrompeu a interação entre árvores e formigas, alterando a sobrevivência das árvores, o que, por sua vez, modificou a estrutura da paisagem, afetando a visibilidade das presas e, consequentemente, influenciando o comportamento dos predadores. A natureza é uma complexa teia de interações onde até mesmo pequenas mudanças podem ter consequências de longo alcance.

Compreender essas conexões é essencial não apenas para a ciência, mas também para a conservação. Proteger os ecossistemas exige reconhecer como as espécies dependem umas das outras. Uma formiga minúscula, uma árvore ou a escolha de caça de um leão podem moldar o destino de toda uma paisagem, mostrando que, na natureza, até mesmo os elementos mais insignificantes podem ter um impacto considerável.

LEIA O ARTIGO:

Kamaru, DN, Palmer, TM, Riginos, C., Ford, AT, Belnap, J., Chira, RM, … & Goheen, JR (2024). A ruptura de um mutualismo entre formigas e plantas molda as interações entre leões e suas presas primárias. Science, 383(6681), 433-438. DOI: 10.1126/science.adg1464

Victor HD Silva

Victor HD Silva é um biólogo apaixonado pelos processos que moldam as interações entre plantas e polinizadores. Atualmente, ele se concentra em compreender como a urbanização influencia as interações entre plantas e polinizadores e como tornar as áreas verdes urbanas mais favoráveis ​​aos polinizadores. Para mais informações, siga-o no ResearchGate como Victor HD Silva.

Foto de capa: Crematogáster Formigas nas acácias-assobiadoras. Foto de Faraó Han.

Tradução para português por Victor HD Silva.