Algumas plantas se escondem à vista de todos. Elas não são necessariamente pequenas, sem graça ou difíceis de reconhecer, mas vivem em lugares tão específicos que poucas pessoas têm a chance de vê-las. Vellozia sessilis é uma dessas plantas.

Vellozia sessilis é um membro do gênero Vellozia, um grupo de plantas encontradas apenas nos trópicos americanos. No Brasil, espécies de Vellozia são popularmente conhecidos como canela-de-ema, graças à sua semelhança com as pernas do ema-maior, uma grande ave conhecida localmente como emaMuitas crescem em ambientes rochosos e pobres em nutrientes nas terras altas, como... campo rupestre, Onde solos rasos, forte luz solar, seca e incêndios criam condições difíceis para a vida vegetal. Esses mesmos ambientes também são centros de endemismo, lar de muitas espécies que não ocorrem em nenhum outro lugar.

Vellozia sessilis — Ocorrências do GBIF

Data: GBIF · Mapa: © OpenStreetMap contribuintes

No campo, Vellozia sessilis Pode parecer enganosamente com grama. É uma planta cespitosa, que forma tufos densos em substratos rochosos, e suas folhas estreitas podem fazê-la lembrar gramíneas ou pequenos bambus quando não está florida.

Vellozia sessilis Em estado vegetativo. Foto por pedrokimura (iNaturalista, CC BY-NC 4.0).

Essa espécie é conhecida apenas a partir de região da Chapada dos Veadeiros de Goiás, no centro do Brasil. Lá, cresce em campos de altitude e savanas rochosas, geralmente acima de 1,000 metros de altitude. Essas paisagens fazem parte do Cerrado, um dos maiores hotspots de biodiversidade do mundo.

Por muitos anos, Vellozia sessilis Era conhecida por meio de muito pouco material. Foi descrita a partir de espécimes coletados na Serra da Baliza em 1979 e 1995, perto da cidade de Alto Paraíso de Goiás. Um registro posterior em herbário revelou outra população em uma fazenda a cerca de 8 quilômetros ao sul da Serra da Baliza. Além disso, nenhuma outra coleta foi encontrada nos principais herbários brasileiros.

Vellozia sessilis em campo. © Bianca Schindler

Isso fez da espécie uma preocupação para a conservação. Com apenas dois locais conhecidos e a deterioração contínua do habitat, Vellozia sessilis já havia sido classificada como Ameaçada de Extinção no Brasil. Mas uma estudo recente, liderado por um estudante de doutorado Bianca Schindler, propuseram-se a preencher algumas das lacunas. Os pesquisadores combinaram levantamentos de campo, dados de herbário, ciência cidadã, modelagem de distribuição de espécies, estimativas por satélite da perda de habitat e experimentos de germinação de sementes para construir uma imagem mais clara da espécie e de seu estado de conservação.

A pesquisa revelou mais do que se sabia anteriormente. O estudo registrou seis populações de Vellozia sessilisincluindo duas descobertas com a ajuda da ciência cidadã. Esses registros mostram que a espécie ainda é altamente restrita, mas também demonstram como as observações locais podem ser úteis quando os cientistas estão tentando encontrar plantas raras em paisagens complexas.

Bianca Schindler preparando um espécime de herbário de Vellozia sessilis© Bianca Schindler.

A história de Vellozia sessilis Não se trata apenas de uma planta ameaçada. Trata-se também da dificuldade de conservar espécies microendêmicas: plantas com distribuição geográfica extremamente restrita, frequentemente ligadas a solos, altitudes e habitats muito específicos. Essas espécies podem estar bem adaptadas a ambientes rochosos e inóspitos, mas isso não as torna imunes à perda de habitat, mudanças no uso da terra ou outras pressões.

A Chapada dos Veadeiros é famosa por suas cachoeiras, planaltos rochosos e paisagens abertas do Cerrado. É também um dos importantes centros de endemismo vegetal do Brasil. A redescoberta e a melhor documentação de Vellozia sessilis Mostrar por que essas paisagens de altitude merecem atenção especial. Às vezes, proteger uma espécie começa simplesmente descobrindo onde ela ainda cresce.

Imagem de capa: Vellozia sessilis. foto por maguelaguia (iNaturalist, CC BY-NC 4.0).