Philodendron, um gênero rico em espécies da família arum (Araceae), é termogênico e produz fortes aromas de inflorescência para atração de polinizadores. No entanto, a localização precisa do tecido emissor de perfume e sua ultraestrutura eram até então desconhecidas.

Estames férteis de Philodendron adamantinum.
Estames férteis de Philodendron adamantinum. (A) Diagrama mostrando a distribuição dos tipos de flores no espádice; na região apical estão flores estaminadas férteis, na região do meio estão estaminódios e na região basal flores pistiladas. (B) Seção longitudinal de uma flor estaminada destacando a porção apical estéril onde substâncias fenólicas se acumulam em algumas das células do parênquima e nos microsporângios; a seta indica o único feixe vascular central. As letras d e e indicam a posição das seções transversais mostradas em (D) e (E), respectivamente. (C) Superfície apical dos estames mostrando a epiderme homogeneamente papilosa. O detalhe mostra um estoma localizado nesta superfície; observe um resíduo em um poro dos estômatos. (D) Seção transversal da porção apical estéril; observe a epiderme papilosa e a ausência de tecidos vasculares; aqui células com citoplasma denso ocorrem entre células acumuladoras de fenólicos. (E) Corte transversal da região da antera mostrando os microsporângios e o feixe vascular; note a ausência de papilas nas células epidérmicas. (F e G) Detalhe das células secretoras da porção apical de um estame fértil. (F) Às 8 h antes da liberação do odor; note as células com protoplasto denso. (G) Às 24 h após a liberação do odor; note a intensa vacuolização das células e da epiderme fenólica. (ep, epiderme; st, tecido secretor; vb, feixe vascular).

Gonçalves Souza et al. mostram que a porção distal das flores estaminadas férteis e estéreis funcionam como osmóforos em Filodendro adamantinum. As células epidérmicas papilosas da porção distal dos estames férteis e estaminódios são caracterizadas por citoplasma denso e núcleos grandes; a composição das organelas aqui é compatível com a atividade secretora, conforme indicado pelo grande número de mitocôndrias e plastídios. Nesta porção, foram observadas gotículas lipídicas, que foram consumidas concomitantemente com a liberação de odor. Esses resultados indicam uma ligação funcional entre a termogênese e a volatilização das secreções de osmóforos para produzir sinais olfativos para atrair polinizadores de besouros especializados.