A maioria das plantas com flores depende de animais polinizadores para transferir seus grãos de pólen, mas o que acontece se duas ou mais espécies de plantas exploram o mesmo polinizador? Em um mundo ideal, o pólen seria exclusivamente transferido de uma planta de uma espécie para outra planta da mesma espécie (denominada transferência de pólen coespecífica). No entanto, com várias espécies compartilhando polinizadores, não é incomum que o pólen de uma (ou mais) espécie seja transferido para uma espécie diferente (denominado transferência de pólen heteroespecífico). Isso tem impactos no sucesso reprodutivo de ambas as espécies, mas o que determina a gravidade dessas consequências não está claro. Foi levantada a hipótese de que pode depender do parentesco filogenético dos dois interagentes (o doador de pólen e o receptor de pólen).

Voe em uma flor
Mosca Syrphid visitando uma flor de Sisyrinchium wettsteinii no Parque Nacional do Itatiaia, Brasil. Crédito da imagem: NS Streher.

Em seu novo estudo publicado na AoBP, Streher et ai. demonstram experimentalmente que o parentesco filogenético medeia o efeito do pólen heteroespecífico no sucesso pós-polinização. Usando três espécies como receptoras, eles mostraram que doadores de pólen de espécies intimamente relacionadas (mesmo gênero) afetaram o crescimento do tubo polínico e tiveram um impacto negativo no sucesso pós-polinização das espécies receptoras. No entanto, quando os doadores de pólen eram parentes distantes (famílias diferentes), as espécies receptoras toleraram ou até se beneficiaram ao cultivar mais tubos polínicos do que sem a presença de pólen heteroespecífico. Os autores concluem que seus resultados, juntamente com o que é conhecido da comunidade estudada, fornecem novos insights sobre como as interações pós-polinização planta-planta podem influenciar a montagem da comunidade vegetal.

Pesquisador destaque

Nathália Streher é doutoranda do último ano em biologia vegetal na Universidade de Campinas, Brasil, sob a supervisão da professora Marlies Sazima e da professora Marina Wolowski. Parte de sua pesquisa foi desenvolvida com a Dra. Tia-Lynn Ashman na Universidade de Pittsburgh, EUA.

Nathália estuda uma comunidade no topo de uma montanha tropical onde está interessada em entender como as interações planta-polinizador e planta-planta podem influenciar a formação da comunidade vegetal. Ela é apaixonada por história natural e envolvida com divulgação científica.