O sistema subterrâneo conhecido como caule do saxofone produzido por mudas de certas espécies de palmeiras exibe padrões de crescimento únicos e morfologias distintas. Nascimento e Souza et al. realizaram avaliações morfoanatômicas de mudas durante o desenvolvimento do caule do saxofone em Acrocomia aculeata, uma palmeira oleaginosa neotropical.
Sementes e plântulas de A. aculeata, indicando (à esquerda) as fases de desenvolvimento do caule do saxofone: (I) crescimento e curvatura do pecíolo cotiledonar, (II) expansão e curvatura da lígula e (III) formação da região tuberosa. Secções longitudinais da semente (A–F) e do caule do saxofone (K). (A) Embrião inserido no endosperma de uma semente não germinada; (B) 1 d após a germinação, mostrando a protrusão do pecíolo cotiledonar (ponta de seta); (C) 5 d após a germinação, destacando a região de curvatura do pecíolo cotiledonar (ponta de seta); (D) 10 d após a germinação; (E) 15 d após a germinação, mostrando a expansão da região da lígula (ponta de seta); (F) 20 d após a germinação, mostrando a região de curvatura da lígula (ponta de seta branca); (G) 45 d após a germinação, mostrando a curvatura da base do caule do saxofone (pontas de seta brancas) e a região de ruptura da lígula (ponta de seta preta); (H) 60 d após a germinação, destacando o início da formação da região tuberosa (seta), com crescimento ascendente em direção à superfície do solo – o nível do solo é indicado por uma linha tracejada; (I) 180 d após a germinação, mostrando a base do caule do saxofone (seta branca) e a posição da porção terminal da região tuberosa onde a raiz primária senescente é inserida (ponta de seta branca) – o nível do solo é indicado por uma linha tracejada; (J) 240 d após a germinação, destacando as cicatrizes das folhas embrionárias (pontas de seta brancas), os restos da raiz primária degenerada (seta branca) e o revestimento cortical (ponta de seta preta); (K) 240 d após a germinação, mostrando a posição de inserção da raiz primária (ponta de seta branca) e a localização do meristema apical (seta branca). Abreviações: ar, raiz adventícia; cp, pecíolo cotiledonar; ed, endosperma; eo, eofilo; ha, haustório; le, folhas; li, lígula; me, metáfilo; pr, raiz primária; s1, primeira bainha; s2, segunda bainha; se, semente; sr, raiz secundária; te, tegumento da semente; tr, região tuberosa.
Eles descobriram que o desenvolvimento da haste do saxofone é distinto de outros sistemas subterrâneos descritos anteriormente e envolve três processos: crescimento e curvatura do pecíolo cotiledonar, expansão e curvatura do hipocótilo e expansão dos internódios da plúmula. A estrutura do caule do saxofone representa uma importante adaptação a ambientes secos por promover o soterramento tanto do ápice caulinar quanto das reservas de armazenamento, o que facilita o crescimento contínuo dos órgãos aéreos.
Depois que um incêndio florestal varre a paisagem, pode ser inevitável ficar chocado com a cena desoladora que ele deixa. No entanto, uma investigação recente liderada por Lucas Carbone sugere que as plantas podem florescer nestes ambientes como nunca se esperava.