Em um novo estudo publicado em New Phytologist, Chen Lin e colegas desbloquearam o segredo por trás da extraordinária capacidade do arroz de águas profundas de sobreviver e até prosperar em condições de inundação. Essa descoberta pode levar a um suprimento global de alimentos mais seguro, pois as mudanças climáticas ameaçam o rendimento das colheitas em todo o mundo.

Os pesquisadores se concentraram na fascinante capacidade do arroz de águas profundas de desenvolver raízes especiais conhecidas como raízes adventícias aquáticas (AAR) em resposta à inundação. Essas raízes permitem que a planta obtenha oxigênio e nutrientes vitais, mesmo quando submersa em água por longos períodos.

Ao examinar linhagens quase geneticamente idênticas de arroz de águas profundas, os cientistas descobriram que as mesmas características genéticas responsáveis ​​pelo incrível alongamento dos brotos da planta também promovem o desenvolvimento de espécies aquáticas. raízes adventícias. Eles observaram que dois tipos distintos de raízes adventícias aquáticas (AR1 e AR2) emergem em épocas diferentes, com características morfológicas e anatômicas únicas, permitindo que se adaptem a diferentes condições de inundação.

Notavelmente, os pesquisadores descobriram que o segundo tipo de raiz (AR2) é mais adequado para inundações de longo prazo, pois possui maior capacidade de alongamento e tolerância à dessecação. Esta descoberta sugere que o AR2 pode desempenhar um papel crucial na estratégia de defesa evolutiva da planta contra a submersão periódica.

Os pesquisadores acreditam que suas descobertas podem ter implicações de longo alcance para segurança alimentar. À medida que eventos climáticos extremos e inundações se tornam mais comuns devido às mudanças climáticas, entender os mecanismos por trás das culturas tolerantes a inundações, como o arroz em águas profundas, será vital para garantir um suprimento global de alimentos estável e sustentável.

Lin e seus colegas concluem:

Propomos que AR2 em arroz de águas profundas pode funcionar como uma estratégia de defesa evolutiva para enfrentar a submersão periódica e de longo prazo. As características morfológicas e anatômicas sugeriram que o AR2 é mais bem adaptado ao alagamento do que o AR1. A bainha foliar foi o principal fator que influenciou a taxa de crescimento, a capacidade de alongamento e o diâmetro da raiz de AR2. Em comparação com o arroz em casca (T65), NIL-1 e NIL-12 produziram mais AR2 durante a inundação, indicando que os principais genes que controlam o desenvolvimento de AR2 estão incluídos em QTL1 e QTL12. Sugerimos investigar melhor os genes nesses dois QTLs que regulam o crescimento de AR2. Além disso, as funções de AR2 em relação à absorção de água e nutrientes durante a submersão parcial devem ser desvendadas para justificar a introdução de raízes aquáticas adventícias em cultivares modernas para áreas que sofrem inundações rasas de longo prazo.

Lin et al . 2023

LEIA O ARTIGO

Lin, C., Ogorek, LLP, Liu, D., Pedersen, O. e Sauter, M. (2023) “Um locus de característica quantitativa que confere tolerância à inundação ao arroz de águas profundas regula a formação de dois tipos distintos de raízes adventícias aquáticas" New Phytologist, 238(4), pp. 1403–1419. Disponível em: https://doi.org/10.1111/nph.18678.