Sabemos que as plantas produzem compostos orgânicos voláteis (VOCs) por vários motivos. Um exemplo óbvio é um perfume para atrair polinizadores, mas eles também são usados para sinalizar nas plantas. No entanto, nem todo VOC que uma planta cheira vem dela mesma ou de um vizinho. Sharifi e Ryu observe os compostos voláteis bacterianos (BVCs) e examine as pesquisas sobre o efeito que eles têm nas plantas.

Esta é uma área de pesquisa relativamente nova. Um dos autores, Ryu foi o autor do artigo revelando que os BVCs tiveram um efeito no crescimento da planta em 2003, em Arabidopisis. Pesquisas posteriores mostraram que não era apenas a Arabidopsis que poderia se beneficiar dos BVCs, nem as bactérias eram os únicos emissores de VOCs aos quais as plantas respondiam. Os fungos também forneceram VOCs que influenciaram o crescimento das plantas.
Sharifi e Ryu discutem pesquisas mostrando que os BVCs modulam a fotossíntese das plantas, aumentam a absorção de minerais, aliviam o estresse biótico e abiótico e modulam o cross-talk hormonal. Eles também destacam alguns tópicos para pesquisas futuras, como se podemos identificar os receptores vegetais para BVCs ou se os BVCs têm algum efeito colateral para a saúde animal e humana.
Sharifi e Ryu dizem: “BVCs são a 'linguagem química' que as bactérias usam para interagir com suas plantas parceiras. Esses compostos modulam as vias fisiológicas e hormonais da planta para aumentar a produção de biomassa e rendimento. Plantas tratadas com BVC exibem maior volume de raízes, número de folhas, tamanho de folhas e número de flores, permitindo maior produção de frutos e sementes. Essas características indicam que os BVCs podem ser usados como fertilizantes na agricultura biológica”.
No entanto, eles também acrescentam uma nota de cautela: “Alguns voláteis que são eficazes para uso em plantas têm efeitos colaterais adversos em organismos não-alvo, como insetos, nematóides e humanos. Portanto, testes extensivos serão necessários antes do lançamento comercial desses compostos”.
