
Existem poucas certezas em biologia vegetal. Mas, com certeza, uma verdade universalmente reconhecida é que as folhas são verdes, projetadas para realizar a fotossíntese para criar alimentos para os humanos e são encontradas nas partes aéreas das plantas? Bem, não é necessariamente assim.
Nem todas as folhas são verdes - vá para os Estados Unidos da Nova Inglaterra no 'outono' para ver essa noção desmascarada (em glorioso Technicolor!). E as folhas não se dedicam apenas à produção de alimentos (que, aliás, é para fins egoístas da própria planta; só por coincidência beneficia aquelas criaturas que se alimentam da biomassa da planta...); algumas folhas aprisionam invertebrados e obtêm nutrição extra deles.
Bem, combinando essa última atividade e uma colocação subterrânea desses órgãos aéreos por excelência, temos Caio Pereira et ai.'S estudo of Filcoxia minensis. Com o título não sensacionalista 'Folhas subterrâneas de philcoxia capturam e digerem nematóides', seu estudo fornece evidências de que as folhas subterrâneas desse gênero realmente capturam e digerem nematóides e, consequentemente, o táxon agora deve ser considerado carnívoro. Este comportamento foi previsto com base na similaridade morfológica e de habitat de philcoxia a outras plantas carnívoras – e é compreensível dado o baixo teor de nutrientes do cerrado do Brasil onde é encontrado. Curiosamente, tentativas anteriores de determinar P. minensis' carnivoria - por Peter Fritsch et ai. (Anais da Academia de Ciências da Califórnia, 4ª série 58: 447–467, 2007) – falhou em encontrar a assinatura reveladora da atividade da protease, sugerindo que não era carnívoro. No entanto, e prescientemente(?), citando 'potenciais fontes de erro' em seu trabalho, eles não descartaram a possibilidade. Descobrir uma nova planta carnívora pode parecer um tanto improvável no século 21 (onde gostamos de pensar que sabemos praticamente tudo o que há para saber sobre tudo), mas – se Marcos Chase et ai. estão corretos - provavelmente há muito mais carnívoros por aí do que reconhecemos atualmente. Plantas verdadeiramente fascinantes - como é demonstrado em Król e colegas rever das travessuras daqueles assimiladores de animais incrivelmente capazes e hábeis.
No entanto, por mais fascinante que seja a revelação brasileira (e is!), estou ainda mais animado com o padrão de distribuição de Genlisea (um gênero relacionado com philcoxia), que é mostrado na imagem acima. Sou só eu, ou a 'parte adesiva' à direita da América do Sul parece caber no recuo à esquerda da África? Agora, eu não sei sobre você, mas pode-se imaginar - louco talvez, mas tenha paciência comigo - que o táxon evoluiu em um local terrestre no passado distante e obscuro, quando os atuais continentes da América do Sul e da África estavam lado a lado - talvez até unidos como um 'super-continente' - mas se dispersaram para esses continentes díspares quando aquele local de nascimento original se dividiu em pedaços diferentes de terra não tão firme se separaram (quase como se aquelas massas de terra continentais estivessem flutuando sobre a superfície da terra como croutons em cima de algum tipo de sopa geológica…). Eu me pergunto…?
