As plantas são inquestionavelmente cruciais para o bem-estar da nossa sociedade. No entanto, qual é a primeira coisa que vem à nossa mente quando consideramos seus benefícios? Produção de oxigênio e sequestro de carbono, algumas pessoas podem responder. Outros podem lembrar que as plantas fornecem alimentos e matérias-primas que usamos em nossa vida cotidiana. As plantas que moldam o clima e contribuem para a saúde do solo também não estariam erradas. Mas o que todos esses benefícios têm em comum? Eles são derivados principalmente de adulto plantas.
Se sua resposta foi uma das opções acima, você não está sozinho. O viés em nossa compreensão dos benefícios que obtemos das plantas também está presente na academia e se reflete na enorme quantidade de trabalho que foi feito para atribuir valor monetário aos serviços mencionados anteriormente. No entanto, um estudo publicado in Trends in Plant Science fornece um ponto de partida fascinante para avaliar o valor das sementes - que, até recentemente, era negligenciado.
Uma equipe de pesquisa liderada pelo Dr. Efisio Mattana do The Royal Botanic Gardens, Kew, avaliou o valor do capital natural das sementes usando uma estrutura de valor econômico total. Esta abordagem implica que para estabelecer o valor de um determinado bem ou recurso, deve-se considerar os benefícios, tanto monetários quanto não monetários, obtidos com sua existência e seu uso, seja direto, indireto ou ainda a ser descoberto.

O fato de um determinado recurso ter valor por existir significa que sua importância vai além de seu uso, mesmo que essa importância não possa ser monetizada. Por exemplo, as sementes têm um enorme significado evolutivo e ecológico, pois foram uma inovação chave que permitiu que as primeiras plantas terrestres migrassem da água para a terra. Além disso, as sementes interagem com toda uma série de organismos, incluindo microorganismos, granívoros e dispersores de sementes, tornando-os um recurso essencial em quase todos os ecossistemas da Terra. Na verdade, em torno de 70% de todas as espécies de plantas conhecidas pela ciência se reproduzem por sementes, e sem elas nosso planeta seria muito diferente do que é hoje. Nosso planeta perderia mais da metade das espécies de plantas que conhecemos e perderia muitas das funções que as plantas desempenham quando adultas.
No que diz respeito ao seu uso, é fácil encontrar exemplos de como as sementes fazem parte do nosso dia a dia. Como comemos cereais, leguminosas e nozes, como aveia, feijão e nozes, seu uso direto é relativamente evidente. Farinhas, óleos e fibras provenientes de sementes de trigo, girassol e algodão, respectivamente, são bons lembretes de que as sementes fazem parte de nossas vidas, mesmo que não as estejamos usando diretamente! Saia de casa ou dê uma olhada em sua camisa e as sementes ainda o seguirão.

Todo produto vegetal está ligado às sementes, pois a maioria das plantas usadas na agricultura e na silvicultura são propagadas por meio de sementes. Além da agricultura, as sementes de várias espécies são fundamentais para a identidade de diferentes culturas em todo o mundo, como o Paisagem cultural do café colombiano –reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO– e a medicina ayurvédica e tradicional chinesa. Se todos esses usos não fossem diversos o suficiente, os cientistas concordam que existem plantas ainda (junto com seus usos potenciais) a serem descobertas. Esse valor, definido pelos autores como valor de opção, inclui todas as características ou propriedades potenciais da semente que podem ser utilizadas no desenvolvimento de novas aplicações comerciais e tecnológicas, como materiais, combustíveis e medicamentos. De fato, Mattana e seus colegas destacam que a identificação de novos usos de produtos derivados de sementes é um campo de pesquisa promissor que pode contribuir para uma agricultura mais eficiente e sustentável e para liberar o potencial dos recursos vegetais.
Como resultado dessa análise, os autores mostram que as sementes contribuem muito para o bem-estar da sociedade e possuem um enorme valor biológico, econômico e cultural. Além disso, eles afirmam que as sementes “representam os principais ativos para soluções baseadas na natureza em nível de espécie [...] e ecossistema”. Em outras palavras, as sementes são de suma importância para o desenvolvimento de estratégias para proteger, gerenciar e restaurar a biodiversidade com sucesso. Não em vão, armazenamento de sementes nativas em bancos de sementes e usando-os para restauração ecológica são cada vez mais reconhecidas como técnicas econômicas para conservação de plantas e restauração de ecossistemas. Esperançosamente, esta pesquisa semeará a semente de um futuro em que o valor das sementes seja totalmente apreciado.

ARTIGO DE PESQUISA
Mattana, E., Ulian, T., & Pritchard, HW (2021). As sementes como capital natural. Trends in Plant Science. https://doi.org/10.1016/j.tplants.2021.08.008

Carlos A. Ordóñez-Parra (ele/ele) é um MSc colombiano. Aluno do Programa de Biologia Vegetal da Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil). Além de sua pesquisa em ecologia funcional de sementes, ele se interessa por divulgação científica e tem escrito para Pesquisa Javeriana e Revista Javeriana em sua antiga universidade na Colômbia, e Pesquisa semanal em ciências vegetais – o resumo semanal publicado por Plantae.org. Siga-o no Twitter @caordonezparra.
Tradução para o espanhol por Lorena Villanueva Almanza
