O alumínio é um elemento tóxico para a maioria das plantas, onde inibe o crescimento das raízes, causa estresse oxidativo e prejudica a absorção de nutrientes essenciais. No entanto, algumas espécies desenvolveram estratégias para acumular esse metal sem sofrer danos significativos, e até agora a maioria dos estudos tem se concentrado em plantas vasculares, como árvores e gramíneas tolerantes do Cerrado e de outros ecossistemas.
Um novo estudo publicado em Plantação revela que dois comuns savanas do Cerrado As espécies de musgo não apenas toleram altos níveis desse metal, mas também utilizam estratégias celulares semelhantes às já descritas para plantas vasculares.
De acordo com o relatório campos rupestres No Brasil, os musgos formam tapetes sobre quartzítico e ferruginoso afloramentos rochosos, onde os solos são ácidos, pobres em nutrientes e naturalmente ricos em alumínio. Nesse contexto, o trabalho de Oliveira e colaboradores investigou duas espécies, Campylopus lamellatus e Polytrichum juniperinum, que crescem em substratos de quartzo e arenito ferruginoso na Serra da Calçada, no sudeste do país, para entender como esses musgos lidam com o alumínio. Após confirmarem que ambos os ambientes apresentavam altos níveis do metal, os pesquisadores utilizaram técnicas histológicas e Morin fluorescência para rastrear onde e como o alumínio se acumula nos tecidos dos musgos.

Ambas as espécies acumulam alumínio, mas em compartimentos celulares distintos. Campylopus lamellatus O metal é armazenado principalmente nas paredes celulares. Em contraste, em Polytrichum juniperinum O alumínio provavelmente está compartimentalizado em vacúolos, organelas conhecidas por sua função de armazenamento, e cloroplastos, responsáveis pela fotossíntese. Esses dois mecanismos refletem estratégias observadas em plantas vasculares tolerantes ao alumínio, tanto no Cerrado quanto em outros ecossistemas ao redor do mundo, revelando um exemplo notável de convergência evolutiva entre diferentes linhagens de plantas.
O estudo também destaca um detalhe importante: os tecidos especializados na condução de água em ambas as espécies apresentaram baixa afinidade pelo alumínio, sugerindo um nível de proteção para as vias de transporte interno, mesmo em musgos. Metodologicamente, o trabalho também é inovador, representando a primeira aplicação da fluorescência de Morin em briófitas no contexto de solos do Cerrado, ampliando o uso de uma técnica já estabelecida em angiospermas.
Em conjunto, esses resultados desafiam a ideia de que o acúmulo de alumínio seja uma característica restrita a certas plantas vasculares. Em vez disso, sugerem que a tolerância e o sequestro de alumínio podem ser muito mais amplamente distribuídos entre as plantas terrestres do que se pensava anteriormente, remontando à história evolutiva das briófitas.
LEIA O ARTIGO:
Oliveira MF, ArriolaÍA, Rodrigues-Mattos GH, et ai.. 2025. Acumulação de alumínio em musgos do cerrado brasileiro: um estudo comparativo de duas espécies que revelam características semelhantes às de plantas vasculares. Plantação 261. https://doi.org/10.1007/s00425-025-04690-5
Tradução portuguesa de Pablo o Santos.
Foto de capa: Polytrichum juniperinum by Stephen James McWilliam (Wikimedia Commons).
