Na semana passada, Carlos, um dos nossos editores, participou de um curso de taxonomia de gramíneas. Depois de passar a semana inteira rodeado por gramíneas, era quase inevitável que sua escolha para Planta da Semana também fosse uma gramínea. Mas não qualquer gramínea: uma de suas favoritas.

Loudetiopsis chrysothrix, conhecido no Brasil como brinco-de-princesa — ou “erva-brinco-de-princesa” — é uma gramínea perene típica da savanas do Cerrado, a vegetação semelhante à savana que cobre grande parte do centro do Brasil. Sua distribuição também se estende para além do Brasil, com registros na Bolívia e no Paraguai, bem como em partes da África tropical.

Loudetiopsis chrysothrix — Ocorrências do GBIF

Data: GBIF · Mapa: © OpenStreetMap contribuintes

Seu nome deriva de sua forma peculiar. tricomas que cobrem suas inflorescências e do longas aristas que emergem delas, dando à planta a aparência de um brinco de ouro digno da realeza. A cor de suas inflorescências contribui para a beleza do Cerrado durante a estação seca, quando a vegetação recua até o retorno das chuvas, e a paisagem dá lugar aos tons ocre e dourado das gramíneas secas.

Loudetiopsis chrysothrix ao pôr do sol. Foto de Maria Eduarda Machado de Oliveira (iNaturalista, CC BY-NC 4.0).

Hoje, capim-brinco-de-princesa é uma das espécies mais amplamente comercializadas por Cerrado de Pé, uma associação de colecionadores de sementes sediada em Alto Paraíso de Goiás, no região da Chapada dos VeadeirosEssas redes vendem sementes de espécies nativas e oferecem apoio. restauração ecológica por meio de semeadura diretaNesse contexto, a espécie tornou-se não apenas um símbolo da beleza sazonal do Cerrado, mas também das comunidades que trabalham para restaurar e valorizar sua vegetação nativa.

Devido à sua beleza natural, essa espécie começou a ser utilizada recentemente no paisagismo. Um exemplo é o Jardim Naturalista “Louise Ribeiro”, criado na Universidade de Brasília em 2017 e considerado o primeiro jardim naturalista do Cerrado. O jardim utiliza sementes fornecidas pelo Cerrado de Pé, unindo o plantio ornamental à coleta comunitária de sementes e à restauração ecológica. Como jardim naturalista, adota uma abordagem diferente do paisagismo convencional, utilizando espécies nativas dispostas de forma a evocar a estrutura, a sazonalidade e a beleza do próprio Cerrado.

O jardim foi batizado em homenagem a Louise Ribeiro, estudante de biologia da Universidade de Brasília assassinada em 2016. Dessa forma, o projeto se tornou tanto um espaço para valorizar plantas do Cerrado no paisagismo quanto uma plataforma para lembrar Louise e conscientizar sobre a violência contra a mulher.

Imagem de capa: Loudetiopsis chrysothrix. Foto de Maria Eduarda Machado de Oliveira (iNaturalista, CC BY-NC 4.0).