
Tem sido uma característica da botânica que, desde que a linguagem da Roma Antiga se tornou a língua franca das classes instruídas, descrições de novas plantas foram publicadas em latino. Infelizmente, novas regras emanadas do XVIII Congresso Botânico Internacional de agosto (realizado em Melbourne, Austrália, em julho de 2011) acabarão com essa tradição. As mudanças são descritas por James Miller et ai. (desculpe, 'e outros'...) em seu artigo informativo intitulado 'Resultados da Seção de Nomenclatura Botânica de 2011 no XVIII Congresso Internacional de Botânica' (Fitochaves 5: 1-3, 2011). Para resumir, o código [o ICBN – Código Internacional de Nomenclatura Botânica – que trata da nomenclatura de plantas, fungos e protistas fotoautotróficos ('algas')] é alterado para Código Internacional de Nomenclatura de Algas, Fungos e Plantas (o ICN); nomes de novos táxons podem ser publicados eletronicamente [!! – Ed.]; e descrições ('os diagnósticos de validação') de novos táxons podem ser em latim ou em inglês [espero que seja inglês (Reino Unido)! – Ed.]. As duas últimas alterações entrarão em vigor em 1º de janeiro de 2012 (não, não em 1º de abril – verifiquei isso especificamente!). Se essa notícia ainda o deixar preocupado com a possibilidade de não soletrar nomes de plantas - que ainda são latinizado – corretamente, então você pode querer usar os serviços do TNRS (Serviço de Resolução de Nomes Taxonômicos), 'um utilitário gratuito para corrigir e padronizar nomes de plantas'. Leia mais sobre isso em http://www.nature.com/news/2011/110613/full/474263a.html. Não devemos nos surpreender muito com a mudança do latim para o inglês; afinal, inglês é o linguagem da ciência internacional. É um pouco chocante depois de todos esses séculos… Ainda assim, é preciso acompanhar os tempos (um pouco como aceitar tampas de rosca em garrafas de vinho antípodas, eu acho…).
