Esta semana, mais de 3000 fitocientistas de todo o mundo chegaram a Madrid para participar na vigésima edição do Congresso Internacional de Botânica (IBC) – um encontro científico que acontece a cada 6 anos (desde 1900!) num local diferente do país. globo e tem autoridade para modificar o Código Internacional de Nomenclatura para algas, fungos e plantas.
IBC2024 começou no domingo, 21 de julho, com palestra de abertura do botânico Sandra Knapp.
Originaliada dos EUA, onde obteve seu doutorado na Universidade Cornell, mais tarde mudou-se para o Reino Unido para iniciar o grande projeto Flora Mesoamericana – um inventário das fábricas da América Central. Desde então, tem investigado diversas espécies botânicas (principalmente pertencentes ao Solanaceae família) e tornou-se um especialista de renome mundial na taxonomia e evolução do Gênero Solanum – que inclui plantas importantes como o tomate (Solanum lycopersicum), batatas (Solanum tuberosum) e berinjela (Solanum melongena). Com o tempo, ela criou sinergias com especialistas em filogenética e filogenômica para lançar uma nova luz sobre a evolução da Solanaceae incorporando novos dados moleculares obtidos através do Sequenciamento de Próxima Geração.

Por que Botânica?
Na sua palestra, Sandra Knapp destacou o papel crucial das plantas no nosso planeta verde e azul único: estima-se que mais de 80% da biomassa em carbono provém de plantas!
O facto de “mudanças climáticas”, “culturas” e “alimentos” serem as palavras mais mencionadas em artigos de investigação publicados recentemente corrobora ainda mais a relevância das espécies comestíveis para a vida humana. Ela também enfatizou a importância da biodiversidade no cultivo, lembrando a grande fome que atingiu a Irlanda na década de 1850 – causada em grande parte pela dependência do povo irlandês de uma única cultura (batata). A vulnerabilidade à infecção pela praga é ainda aumentada pela falta de variabilidade genética associada à propagação vegetativa de cultivares baseadas na reprodução assexuada de plantas de batata geneticamente idênticas.
Além das alterações climáticas, a palestra centrou-se nos 3 Cs: plantar cultivo (variação genética da cultura), ambiente conservação (biodiversidade de espécies silvestres), e colaboração como uma comunidade para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável comuns.
Por que agora?
Para contrabalançar o enorme número de ameaças que ameaçam o nosso frágil planeta, Sandra Knapp apresentou algumas iniciativas destinadas a apoiar os esforços de conservação das plantas em todo o mundo. Entre outros, o Flora Mundial Online (um catálogo online contendo informações sobre quase 400 espécies botânicas) abrange toda a biodiversidade conhecida do reino vegetal.
Sandra também mencionou o Movimento Natureza Urbana: Como 75% da população humana vive em cidades, a maioria perde contato com as plantas diariamente… e é hora de reverter essa tendência.
“As plantas fornecem alimento, ar e beleza”, concluiu ela.
