
Frequentemente, os periódicos dedicam uma edição inteira a um tema específico, talvez até a uma única espécie (mesmo diários inteiros são aparentemente dedicados a Arabidopsis thaliana…). Mas raramente eles serão dedicados a um único artigo de jornal. Bem, tal é o poder de 'Ledbetter e Porter (1963)' que o edição de julho de 2013 da Diário da Planta presta a devida homenagem a essa publicação seminal.
Por que o L&B '63 merece essa honra? Dito de forma simples, esse artigo bastante modesto, intitulado 'Um “microtúbulo” na estrutura fina da célula vegetal', praticamente sozinho iniciou toda uma nova área de pesquisa em biologia celular vegetal – o papel do citoesqueleto, particularmente em conexão com a formação da parede celular. Seu status icônico e definidor de tendências pode ser rastreado em grande parte até alguns dos mais influentes comentários 'descartáveis' já escritos, como, 'Nota-se que os túbulos corticais estão em uma posição privilegiada para... exercer uma influência sobre o disposição dos materiais da parede celular. A esse respeito, pode ter algum significado que os túbulos logo abaixo da superfície do protoplasto reflitam a orientação das microfibrilas de celulose das paredes celulares adjacentes' (do resumo do artigo).
Hoje em dia, depois de mais meio século de estudos, elementos da planta citoesqueleto - especialmente microtúbulos construídos por tubulina, microfilamentos à base de actina e proteínas associadas ao citoesqueleto - foram implicados em muitos aspectos da biologia celular vegetal e continuam a fornecer áreas frutíferas de investigação. Muitas dimensões dessas novas e emergentes áreas de estudo enraizadas nos microtúbulos são abordadas nos 12 artigos de revisão da edição. E com títulos como 'O papel do citoesqueleto e proteínas associadas na determinação do plano de divisão celular vegetal', 'Microtúbulos e interações bióticas', 'Microtúbulos na replicação e transporte viral', 'Microtúbulos, sinalização e estresse abiótico' e ' Organização de endomembrana dependente de citoesqueleto em células vegetais: um papel emergente para os microtúbulos', você começa a apreciar a verdadeira natureza da dívida para com o artigo original de Ledbetter e Porter. Mas a melhor parte de tudo isso? Cada um dos doze artigos de revisão e o Editorial de Peter Hepler, Jeremy Pickett-Heaps e Brian Gunning são todos... GRATUITOS (!). Que ótimo recurso didático! Obrigado, Diário da Planta.
[Uma pergunta para aqueles que sabem mais sobre essas coisas do que eu: por que os microtúbulos ainda podem ser chamados de microtúbulos, enquanto os microfilamentos são quase esmagadoramente denominados Filamentos de actina na literatura científica moderna...? É porque o termo correspondente 'túbulos de tubulina' pareceria um pouco tolo? Se sim – e por consistência (certamente, um princípio científico admirável?) – por que não voltamos àqueles tempos mais simples de microtúbulos e microfilamentos? – Ed.]
