Os museus de história natural têm sido, há muito tempo, espaços poderosos para o aprendizado, com suas vastas coleções atraindo visitantes de todo o mundo. No entanto, seus jardins são frequentemente vistos como extras agradáveis, em vez de partes essenciais da experiência do visitante. Em um artigo recente para Plantas, pessoas, planetaEd Baker e seus colegas mostram como os fundamentos do Museu de História Natural em Londres foram transformados em Uma demonstração viva da evolução, da ação climática e das escolhas diárias que as pessoas podem fazer pela natureza..

Em 2020, o Museu declarou uma “emergência planetária”, reconhecendo o crescente impacto da atividade humana no mundo natural. Isso levou a uma reflexão sobre como seus espaços internos e externos poderiam comunicar melhor a ciência das mudanças ambientais e incentivar os visitantes a tomarem medidas significativas.

Um passo importante nessa visão foi a reformulação completa dos dois hectares de jardins do museu. A primeira área que os visitantes encontram é o Jardim da Evolução, uma viagem no tempo pela história da vida na Terra. Começa com algumas das rochas mais antigas do Reino Unido, formadas durante o Pré-Cambriano, e segue para uma floresta inspirada no período Carbonífero, quando surgiram algumas das primeiras florestas verdadeiras do planeta. Mais adiante, encontra-se uma escultura de bronze em tamanho real de uma estátua de bronze. Diplodocus A área se estende por uma clareira com temática jurássica, repleta de coníferas, cicas e samambaias. Quando os visitantes chegam às plantações do Cretáceo, a era em que as plantas com flores evoluíram, a mensagem é clara: a evolução não é uma ideia abstrata, mas uma história viva e crescente que continua até hoje.

A estátua de bronze de Diplodocus Está inserido num jardim que evoca o período Jurássico, incluindo coníferas, cicas e fetos. Foto de Padeiro et ai. (2025).

O tema da evolução continua na entrada principal do Museu, onde vasos exibem espécies das ilhas macaronésias das Canárias, Madeira e Açores. Essas plantas impressionantes incluem... Echium pininana e Sonchus canariensis, revelam como o isolamento em ilhas oceânicas pode produzir parentes gigantes e desconhecidos de espécies encontradas no Reino Unido, transformando a entrada em uma lição inesperada sobre como a evolução molda o mundo ao nosso redor.

Seguindo para oeste, o Jardim de Descoberta da Natureza muda o foco do tempo remoto para os desafios ecológicos atuais e para as pequenas ações que podemos tomar para apoiar a natureza ao nosso redor. Ele destaca a importância da vida selvagem urbana e a necessidade de restauração ecológica por meio de campos floridos, lagoas e trechos de mata nativa. Muitos desses habitats são projetados para serem explorados ao nível dos olhos, proporcionando aos visitantes encontros próximos com a biodiversidade surpreendentemente rica que prospera neste espaço compacto.

Um lago no Jardim de Descobertas da Natureza que permite aos visitantes observar a vida aquática ao nível dos olhos. Foto de Padeiro et ai. (2025).

Esta área também funciona como um centro de pesquisa e um espaço de aprendizagem. Os cientistas monitoram como as espécies urbanas se estabelecem e respondem às mudanças nas condições, criando um registro de longo prazo que pode orientar o planejamento futuro da cidade. Ao mesmo tempo, grupos escolares usam o jardim como um laboratório a céu aberto, aprendendo a identificar insetos, testar a qualidade da água e praticar o monitoramento ecológico na prática. Dessa forma, o Museu transformou este espaço, antes um mero canteiro decorativo, em um local onde a ciência não é apenas observada, mas vivenciada.

Em conjunto, os jardins redesenhados mostram como os espaços museológicos ao ar livre podem se tornar locais de verdadeira descoberta, em vez de meros cenários para as coleções internas. Por serem construídos sobre plantas, a base da maioria dos ecossistemas terrestres, eles podem funcionar como coleções vivas que revelam como a natureza funciona, como mudou ao longo do tempo e como continua a responder às pressões humanas.

Os números iniciais de visitantes sugerem que essa nova abordagem já está causando impacto. Mais de 84% dos visitantes entrevistados consideraram que os jardins comunicavam claramente temas como a evolução das plantas e a relação entre elas e seu ambiente. Milhões de pessoas agora utilizam o espaço não apenas como um caminho para as galerias, mas como um destino em si. Para muitos, é o primeiro contato próximo com plantas nativas e vida selvagem urbana. Notavelmente, mais de 90% disseram que gostariam de passar mais tempo em espaços naturais após a visita, e mais de 76% se sentiram inspirados a tomar medidas para apoiar a natureza em suas comunidades.

O projeto também aborda uma questão mais ampla: o acesso à natureza nas cidades é limitado e desigual. Ao oferecer um espaço verde central e gratuito que combina beleza, aprendizado e pesquisa, o Museu proporciona um local inclusivo onde as pessoas podem se reconectar com o mundo natural. Os resultados apontam para uma verdade mais ampla que permeia o estudo: as pessoas protegem aquilo que vivenciam e compreendem. O trabalho do Museu de História Natural demonstra como as instituições culturais podem reimaginar seus espaços ao ar livre para promover uma biodiversidade mais rica e ajudar a impulsionar a ação ambiental de que nossas cidades tanto precisam.

LEIA O ARTIGO

Baker, E., Kenrick, P., Knapp, S., McCarter, T., & Tweddle, J. (2025). Catalisadores para a mudança: Jardins de museus em uma emergência planetária. Plantas, Pessoas, Planeta. https://doi.org/10.1002/ppp3.70100.

Erika Alejandra Chaves-Diaz

Erika é uma bióloga e ecóloga colombiana apaixonada por florestas tropicais, primatas e comunicação científica. Ela possui mestrado em Ecologia e Conservação da Vida Selvagem pela Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil) e faz parte da Ciência Tropical desde 2020 — um grupo de comunicação científica que busca conectar pessoas com a biodiversidade e aumentar a conscientização ambiental. Você pode segui-la e sua equipe no Instagram em @cienciatropical. Tradução para espanhol e português por Erika Alejandra Chaves-Diaz.