Estudos de desenvolvimento floral são cruciais para a compreensão da evolução das estruturas florais e sistemas sexuais em angiospermas. Dentro da ordem monocotiledônea Poales, ambas as subfamílias de Eriocaulaceae têm flores unissexuais com nectários incomuns. Poucos estudos anteriores investigaram o desenvolvimento floral na subfamília Eriocauloideae, incluindo o grande, diverso e difundido gênero eriocaulon. Compreender a variação floral e a evolução do androceu, gineceu e nectários florais de Eriocaulaceae, por Lima Silva et al. analisaram o desenvolvimento floral e a vascularização em eriocaulon e comparou-o com o da subfamília Paepalanthoideae e a família relacionada Xyridaceae em um contexto filogenético.

Desenvolvimento floral precoce em eriocaulon assemelha-se ao observado em outras Eriocaulaceae. As sépalas são os primeiros órgãos florais a emergir no primórdio floral, seguidas dos estames e do gineceu; as pétalas diferenciam-se da divisão do primórdio pétala-estame comum. Apesar deste padrão geral relativamente estável em eriocaulon, há variação no merisma floral, tamanho e número de partes do perianto e presença de glândulas pétalas. de Lima Silva et alA análise comparativa de desenvolvimento floral e vascularização em várias espécies fornece pistas para possíveis processos evolutivos.
As reduções do perianto podem ocorrer devido ao atraso no desenvolvimento que também pode resultar na perda dos feixes vasculares das sépalas medianas. Glândulas pétalas nectaríferas cessam o desenvolvimento e permanecem vestigiais em algumas espécies. Nas flores estaminadas, os estames internos podem surgir antes dos externos, e os carpelos se transformam em carpelodos nectaríferos. Nas flores pistiladas, os estames são reduzidos a estaminódios e o gineceu possui estigmas dorsais.
A morfologia floral é altamente diversa em eriocaulon, como resultado da fusão, redução ou perda de partes do perianto. Os carpelodos nectaríferos das flores estaminadas originaram-se primeiro no ancestral de Eriocaulaceae; glândulas pétalas e ramos nectaríferos de flores pistiladas originaram-se independentemente em Eriocaulaceae por transferência de função. de Lima Silva et al. apresentam uma hipótese de evolução floral para a família, ilustrando uma mudança da bissexualidade para a unissexualidade e a evolução dos nectários em uma família complexa de monocotiledôneas, o que pode contribuir para futuros estudos sobre biologia reprodutiva e evolução floral em outros grupos.
ARTIGO DE PESQUISA
de Lima Silva, A., Trovó, M., Stützel, T., Rudall, PJ, Sajo, M. das G., Coan, AI, 2021. O desenvolvimento floral e a vascularização em Eriocaulon (Eriocaulaceae) fornecem informações sobre a evolução de Poales. Annals of Botany. https://doi.org/10.1093/aob/mcab100
