Botânica 2025 (26 a 30 de julho de 2025) foi uma das maiores conferências botânicas do ano. O Botany One conversou com o Dr. Dmitry Sokoloff, palestrante no simpósio “História Evolutiva dos Gnetales”, patrocinado pela Annals of Botany periódico, para aprender mais sobre sua fascinante pesquisa sobre evolução reprodutiva e os mistérios do desenvolvimento das plantas.
Sokoloff é pesquisador associado da Universidade de Tel Aviv e possui vasta experiência em diversos aspectos da ciência vegetal, desde taxonomia e evolução até desenvolvimento e paleobotânica. Sua pesquisa o levou a realizar pesquisas em diversos países ao redor do mundo, incluindo Rússia, Austrália e Índia.

O que fez você se interessar por plantas?
Quando eu tinha uns 14 anos, eu estava levando muito a sério a ideia de me tornar zoólogo de invertebrados. Eu costumava frequentar seminários muito populares para crianças no Departamento de Zoologia de Invertebrados da Universidade de Moscou. Um dia, fomos convidados para uma excursão de campo de botânica — ironicamente, organizada por um zooecólogo marinho! Esse evento inesperado foi crucial para me tornar botânico.
Ao mesmo tempo, minha avó — que era geóloga — comprou para mim um manual de identificação de plantas, por motivos que ainda desconheço. Aquele livro me cativou porque me fez sentir que eu poderia começar a explorar plantas imediatamente, enquanto a zoologia de invertebrados exigia um microscópio e mais ferramentas. Aliás, o editor daquele manual se tornou meu orientador de doutorado. Essa combinação de acesso direto à natureza e mentoria precoce me atraiu profundamente para a botânica.
O que o motivou a seguir sua atual área de pesquisa?
Fico feliz em saber que meu trabalho é considerado parte da evo-devo, embora minhas contribuições venham mais da biologia evolutiva e do desenvolvimento. Meu interesse por essa área cresceu a partir de interações com colegas inspiradores como Paula Rudall, Richard Bateman e Mike Frohlich, no Reino Unido, e Maria Logacheva e Alexei Penin, na Rússia.
Um momento particularmente significativo aconteceu quando conheci Stefanie e Cecilia no Congresso Internacional de Botânica em Madri. Imediatamente percebemos que queríamos colaborar na pesquisa evo-devo em Ephedra—um gênero que considero um dos mais fascinantes do mundo. Estudar Ephedra pode nos ajudar a entender melhor as semelhanças e diferenças no desenvolvimento de sementes entre gimnospermas e angiospermas.
Outro momento crucial foi quando Alexander Timonin me pediu — há 25 anos — para desenvolver um curso sobre evolução das angiospermas. Entrei em contato com Peter Endress e outros para solicitar seus artigos. Peter generosamente me enviou uma grande caixa cheia de seus trabalhos, o que me impressionou profundamente e me interessou pelo desenvolvimento e evolução das flores. Mais tarde, tive a oportunidade de passar um tempo no laboratório de Peter em Zurique, onde também conheci Paula Rudall. Esse encontro resultou em uma colaboração que dura mais de duas décadas.
Há alguma planta ou espécie específica que intrigou ou inspirou sua pesquisa? Se sim, quais são e por quê?
Um dos trabalhos mais significativos para os quais contribuí envolve as Hydatellaceae — uma família de pequenas plantas aquáticas da Austrália, Índia e Nova Zelândia que pertencem a uma linhagem quase basal de plantas com flores. Juntamente com Paula Rudall e outros colegas, produzimos 18 artigos conjuntos sobre esse fascinante grupo. Abordamos taxonomia, descrevemos novas espécies, estudamos dimorfismo sexual, desenvolvimento reprodutivo, homologia de flores, palinologia, embriologia e germinação de sementes. Descobrimos até um novo tipo de cotilédone de plantas com sementes. Esses estudos também foram vinculados à pesquisa filogenética, incluindo colaborações com o grupo de Sean Graham para examinar espécies crípticas.
Outro foco tem sido Éfedra foemínea, uma espécie comum em Israel que desempenha um papel fundamental em meus estudos sobre a evolução reprodutiva em Gnetales. Gnetales e angiospermas são enigmáticas, compartilhando muitas características estruturais e de desenvolvimento, apesar de dados moleculares mostrarem que não são intimamente relacionadas. Entender por que as Gnetales não se diversificaram como as angiospermas e por que mantêm características como a dioicia funcional mesmo quando estruturalmente bissexuais levanta questões incrivelmente intrigantes sobre a evolução das plantas.

Você poderia compartilhar uma experiência ou anedota de seu trabalho que marcou sua carreira e reafirmou seu fascínio pelas plantas?
O trabalho de campo no Território do Norte da Austrália destaca-se pela sua riqueza científica e pela sua experiência pessoal inesquecível. Estive lá com Terry Macfarlane, Paula Rudall, Richard Bateman e Margarita Remizowa. Encontramos cupinzeiros magnéticos, crocodilos (felizmente, os pântanos onde Hidatelláceas (os arbustos eram muito rasos para eles) e nuvens zumbindo de mosquitos. Também vimos arte aborígene retratando tilacinos há muito extintos.
O que tornou tudo especialmente significativo foi ver na natureza uma nova espécie que havíamos descrito anteriormente apenas em coleções de herbário — e estar sob um penhasco sabendo que outra espécie recém-descrita crescia logo acima. Infelizmente, não tínhamos licenças nem financiamento para coletar outras espécies, mas espero que um dia elas sejam estudadas mais a fundo.
Outra experiência memorável foi uma viagem de pesquisa aos Gates Ocidentais, na Índia, liderada pelo Professor Shrirang Ramchandra Yadav. O planalto de laterita lembrava a tundra do norte visto de longe, mas uma observação mais atenta revelou um substrato rochoso e plantas notavelmente semelhantes às do norte da Austrália. Essas experiências continuam a aprofundar minha apreciação pela diversidade vegetal e a emoção da descoberta em campo.
Que conselho você daria aos jovens cientistas que estão considerando uma carreira em biologia vegetal?
Fascine-se pela diversidade vegetal. Observe as plantas não apenas pela ciência, mas também pela sua beleza. O trabalho de campo é inestimável — não apenas para a coleta de dados, mas também para desenvolver uma relação íntima com o seu objeto de estudo. É frequentemente no campo que surgem novas questões e onde a sua paixão de longa data pelas plantas é verdadeiramente nutrida.

Carlos A. Ordóñez-Parra
Carlos (ele/dele) é um ecologista de sementes colombiano atualmente fazendo seu doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (Belo Horizonte, Brasil) e trabalhando como editor científico na Botany One e como oficial de comunicações na International Society for Seed Science. Você pode segui-lo no BlueSky em @caordonezparra.
