Em todo o mundo, os herbários guardam registros de trabalhos de campo botânicos passados. Os botânicos voltaram de suas viagens com tecidos vegetais preservados por séculos. No entanto, em vez de acumular poeira como relíquias de expedições botânicas passadas, essas coleções – de flores silvestres da era vitoriana a plantações da era da Depressão – estão se mostrando essenciais para questões de pesquisa modernas. Em sua Tansley Review, Barnabas Daru argumenta plantas preservadas, emparelhadas com inteligência artificial, poderia ajudar a resolver um dos mistérios mais urgentes da biologia: como a vida botânica da Terra resistirá a um mundo em aquecimento.

À medida que o clima muda e as cidades se expandem, os botânicos modernos estão se voltando para essas coleções históricas para entender como as plantas estão se adaptando — ou falhando em se adaptar — ao nosso mundo em rápida mudança. Datas em espécimes podem revelar períodos de mudança no comportamento das plantas. Mas as mudanças não precisam ser óbvias aos olhos humanos. Daru diz que o valor dos herbários pode ser desbloqueado, se os olharmos através de olhos computadorizados.

A Computer Vision combina imagens digitais de espécimes de plantas com algoritmos de aprendizado de máquina. Ela pode ser sistemática, precisa e rápida. Um projeto que mede mudanças no tamanho e formato das folhas que poderia levar anos de medição para os botânicos agora pode ser concluído em dias. Ser capaz de rastrear pequenas mudanças em grandes amostras transforma as plantas em um vasto banco de dados de mudanças ecológicas, permitindo respostas rápidas às perguntas. Essa velocidade é importante, pois os botânicos estão com um prazo.

Os habitats estão mudando ou desaparecendo, por meio do aquecimento, poluição e espécies invasoras, o que significa que algumas plantas precisam urgentemente de ajuda para conservação. Mas quais plantas? Atualmente, os cientistas não têm dados suficientes para avaliar o risco de extinção de mais de 60% das espécies de plantas conhecidas. Obter as informações necessárias por meio de trabalho de campo é um processo longo e trabalhoso. Espécimes de herbário, alguns representando plantas que não existem mais na natureza, podem ajudar a preencher essa lacuna no conhecimento. Mas não é simplesmente que os robôs salvarão o mundo. Baru defende uma abordagem que combine a ciência moderna com o conhecimento dos povos que conhecem melhor esses habitats.

O planejamento de conservação e a gestão da biodiversidade não devem apenas priorizar métricas ecológicas e evolutivas, mas também considerar as dimensões socioculturais da administração da terra. Comunidades indígenas e administradores locais frequentemente detêm conhecimento importante sobre diversidade de plantas, distribuição de espécies e relações ecológicas dentro de suas regiões. Integrar esse conhecimento com dados de herbário pode fornecer uma abordagem mais holística ao planejamento de conservação.

Daru, BH (2025) 'Rastreando dimensões ocultas da biogeografia vegetal a partir de herbários', New Phytologist, doi: 10.1111/nph.70002


Postagem cruzada para Bluesky & Mastodonte.

Imagem: canva.