O ambiente pode variar em pequenas escalas espaciais, tão pequenas que as plantas vizinhas em uma população natural podem crescer com diferentes níveis de recursos e experimentar diferentes graus de competição. Essa variação biótica e abiótica refinada no ambiente pode favorecer a manutenção da diversidade genética dentro das populações. No entanto, estudos ecológicos e evolutivos muitas vezes ignoram os efeitos do microambiente na população de plantas e na dinâmica da comunidade. A mudança climática também está alterando rapidamente conjuntos complexos de ambientes aos quais as populações naturais se adaptaram.

Em uma nova revisão publicada em AoBP, Denney et ai. discutem a influência do microambiente na fisiologia, adaptação e plasticidade da planta no contexto de ambientes novos e em rápida mudança. Os autores consideram o papel dos microambientes como paleo-refúgios durante as mudanças climáticas históricas, e o potencial da variação existente no microambiente para servir como refúgio nas mudanças climáticas contemporâneas. Os autores destacam que, se os microrefúgios sustentam as populações locais no curto prazo, outros processos ecoevolutivos, como fluxo gênico e adaptação, podem aumentar a estabilidade populacional no longo prazo. Eles alertam, no entanto, que as populações locais ainda podem diminuir de tamanho à medida que se contraem em raros microhabitats e microrefúgios. Eles esperam que sua revisão abra as portas para trabalhos futuros que examinem explicitamente o papel do microambiente na manutenção da variação genética nas populações locais. Eles também esperam que a gestão da conservação se beneficie de uma melhor compreensão dos papéis dos microrrefúgios na perseverança de uma espécie de planta às mudanças climáticas.
Este artigo foi publicado no AoBP Edição especial intitulada A ecologia e a genética da diferenciação populacional em plantas.
