O tempo está se esgotando para encontrar soluções sustentáveis para aumentar o rendimento das colheitas face à escassez de recursos, às alterações climáticas e ao crescimento da população global. Novas pesquisas ajudarão a orientar os criadores a identificar e selecionar mais rapidamente genótipos de plantas que podem aumentar o rendimento das culturas, garantindo a segurança alimentar para o futuro.
O desenvolvimento de novas cultivares de alto rendimento depende da prática da seleção genotípica. Isto envolve o crescimento de uma população geneticamente diversificada de plantas para identificar aquelas que conferem características desejáveis (fenótipos) após extensa medição e avaliação. No entanto, este processo é complicado pelo facto de os fenótipos das plantas serem influenciados não apenas pela composição genética, mas também pelas práticas de gestão e condições ambientais a que a planta está exposta.
O grande número de combinações possíveis de variáveis genéticas, ambientais e de manejo que podem influenciar os fenótipos das plantas torna inerentemente difícil determinar os cultivares ideais para um local que ainda não foi testado.
A estudante de pós-graduação da Iowa State University, Mariana Chiozza, liderou um estudo de pesquisa que procurou superar esta limitação usando modelos computacionais para simular os fenótipos de uma ampla gama de genótipos cultivados sob diferentes práticas de manejo e condições ambientais. Este estudo, publicado em in silico As plantas poderiam ajudar criadores e agricultores a determinar os melhores genótipos e práticas de manejo para um determinado local.
Os avanços na fenotipagem baseada em imagens permitiram aos pesquisadores rapidamente capturar grandes volumes de dados de características fenotípicas baseadas em dossel ordens de magnitude mais rápidas do que métodos manuais (Figura 1). Isso lhes permite medir com eficiência as características, como o índice de área foliar, de milhares de genótipos cultivados sob práticas de manejo e condições ambientais específicas.

O índice de área foliar é uma medida da quantidade de material foliar na copa de uma planta (ver Figura 2). Esta métrica fornece um indicador útil da capacidade da planta de capturar a luz solar e realizar a fotossíntese e está intimamente ligada ao rendimento de sementes. No entanto, a relação exata entre o índice de área foliar e a produtividade é difícil de entender, pois é influenciada por uma complexa interação de fatores genéticos, ambientais e de manejo.

Chiozza e colegas recorreram à modelagem computacional para simular como várias variáveis genéticas, ambientais e de manejo interagem para moldar a relação índice de área foliar-rendimento. “Uma parte significativa da comunidade de melhoramento da soja utiliza abordagens lineares para relacionar características da copa e produção de sementes. No entanto, esta relação pode variar significativamente quando fatores como genética, ambiente e manejo são levados em consideração”, explica Chiozza (ver Figura 3).

Para resolver este problema os autores aproveitaram um modelo existente, Simulador de Sistemas de Produção Agrícola (APSIM), que simula os processos biofísicos envolvidos no crescimento e produção da soja. No âmbito do APSIM, os pesquisadores criaram 216 genótipos únicos de soja, variando sistematicamente os valores dos parâmetros para características relacionadas ao desenvolvimento da cultura (fenologia e fotoperíodo) e à alocação de biomassa (índice de colheita).
Eles então simularam o crescimento de todos os 216 genótipos sob 24 abordagens de manejo diferentes, como variações na data de plantio, espaçamento entre linhas e densidade de plantas, em 3 locais. Esta análise foi conduzida ao longo de um período de 20 anos, resultando em um total de 311,040 execuções de simulações individuais. Essa abordagem permitiu aos pesquisadores avaliar com eficiência o desempenho e o potencial produtivo de uma ampla gama de genótipos de soja sob diferentes condições ambientais e de manejo, sem a necessidade de extensos testes de campo.
Não é surpreendente que os pesquisadores tenham descoberto que os valores do índice de área foliar correspondentes ao maior rendimento variaram com a localização, genótipo, densidade, espaçamento entre linhas, data de plantio e outros fatores. Isto sublinha a complexidade inerente envolvida na identificação dos valores óptimos do índice de área foliar que os melhoristas devem atingir através da selecção genotípica para alcançar o máximo rendimento das culturas.
Com este trabalho, os autores demonstraram que abordagens lineares para relacionar características do dossel e produtividade nem sempre são apropriadas. Em muitos casos, o IAF mais elevado não teve efeito ou correlacionou-se com a redução do rendimento. Isto pode ser atribuído ao auto-sombreamento ou ao fato de o custo na construção do tecido foliar ser prejudicial para a produção de sementes (Figura 4).

Ao avaliar os vários fatores que influenciam a relação entre as características da copa de uma cultura e o seu rendimento de sementes de uma forma mais abrangente, pesquisas como esta podem ajudar os melhoristas a aproveitar melhor a utilidade das tecnologias de fenotipagem de alto rendimento. Esta compreensão mais profunda das complexas interacções entre as características das plantas e a produtividade pode ajudar os programas de melhoramento nos seus esforços para desenvolver variedades melhoradas de culturas.
LEIA O ARTIGO:
Mariana V Chiozza, Kyle Parmley, William T Schapaugh, Antonio R Asebedo, Asheesh K Singh, Fernando E Miguez, Mudanças na relação área foliar-produção de sementes em soja impulsionadas por genética, manejo e ambientes: implicações para fenotipagem de alto rendimento, in silico Plants, 2024;, diae012, https://doi.org/10.1093/insilicoplants/diae012
