
Chrysolaena obovata, áster do Cerrado brasileiro, apresenta crescimento sazonal, marcado pela senescência dos órgãos aéreos no inverno e posterior rebrota no final desta estação. Os órgãos subterrâneos de reserva, os rizóforos, acumulam frutanos do tipo inulina e conferem tolerância à seca e às baixas temperaturas. Os frutanos e as enzimas que os metabolizam mostram uma distribuição espacial e temporal característica nos rizóforos durante o ciclo de desenvolvimento. Estudos anteriores mostraram correlações entre ácido abscísico (ABA) ou ácido indol acético (IAA), frutanos, dormência e tolerância à seca e ao frio, mas o mecanismo de sinalização para o início da dormência e brotação nesta espécie ainda é desconhecido. Um novo papel em Annals of Botany examina o metabolismo dos frutanos nesta espécie em resposta a mudanças ambientais.
As plantas foram amostradas no campo em todas as fases fenológicas, incluindo dormência, brotação e crescimento vegetativo. As concentrações endógenas de ABA e IAA foram determinadas e medidas de conteúdo e composição de frutanos e atividades enzimáticas foram feitas. A expressão relativa dos genes correspondentes durante a dormência e brotação também foi determinada. As plantas apresentaram alta atividade e expressão da frutana 1-exohidrolase durante a brotação nos segmentos proximais dos rizóforos, indicando mobilização das reservas de frutanos, quando as concentrações de ABA eram relativamente baixas e a precipitação e a temperatura estavam em seus valores mínimos. Concentrações mais altas de IAA foram consistentes com o papel desse regulador na promoção do alongamento celular e crescimento da planta. Com altas taxas de precipitação e altas temperaturas no verão, a enzima sintetizadora de frutanos sacarose:sacarose 1-frutosiltransferase apresentou maior atividade e expressão nos segmentos distais dos rizóforos, que diminuíram ao longo do estágio vegetativo quando as concentrações de ABA foram maiores, possivelmente sinalizando a entrada em dormência.
Esses resultados mostram que o metabolismo dos frutanos se correlaciona bem com as concentrações endógenas de hormônios e mudanças ambientais, sugerindo que a ação coordenada do metabolismo dos carboidratos e da síntese hormonal permite C. obovata para sobreviver a condições desfavoráveis de campo. As concentrações de hormônios endógenos parecem estar relacionadas com a regulação do metabolismo dos frutanos e com a transição entre as fenofases, sinalizando para o armazenamento de energia, mobilização de reservas e acúmulo de oligossacarídeos como osmólitos.
