Botânica 2025 (26 a 30 de julho de 2025) foi uma das maiores conferências botânicas do ano. O Botany One conversou com o Dr. Zumajo-Cardona, palestrante no simpósio “História Evolutiva dos Gnetales”, patrocinado pela Annals of Botany periódico, para aprender mais sobre sua fascinante pesquisa sobre a evolução das estruturas reprodutivas das plantas, especialmente sementes.
Zumajo-Cardona é pesquisadora de pós-doutorado na Universidade de Milão (Itália), interessada na evolução e no desenvolvimento de plantas. Sua pesquisa atual se concentra em aprofundar nossa compreensão do desenvolvimento de sementes em espécies modelo. Arabidopsis thaliana. Durante seu doutorado, no entanto, ela explorou o desenvolvimento de sementes em gimnospermas, com o objetivo de lançar luz sobre as ligações evolutivas entre o desenvolvimento de sementes em gimnospermas e angiospermas. Você pode aprender mais sobre sua pesquisa em seu site pessoal.

O que fez você se interessar por plantas?
Crescer cercado pela exuberante e enorme diversidade de plantas dos trópicos certamente ajudou a despertar minha curiosidade sobre as plantas. Estudos de biologia foram, portanto, uma escolha natural. Essa curiosidade foi ainda mais alimentada pela orientação de excelentes professores, que me ajudaram a explorar o mundo vegetal sob diferentes ângulos — sistemática, evolução, morfologia e biologia do desenvolvimento. Essas áreas me permitiram compreender a história de diferentes linhagens e a evolução de estruturas-chave, como frutos e sementes, bem como os reguladores moleculares subjacentes a essas histórias evolutivas extraordinárias.
Durante minha graduação na Universidade de Antioquia (Colômbia), a Dra. Natalia Pabón-Mora me apresentou ao mundo da biologia evolutiva do desenvolvimento (evo-devo). Essa experiência foi crucial para moldar meus interesses e me colocar no caminho que sigo até hoje.
O que o motivou a seguir sua atual área de pesquisa?
Minhas primeiras experiências de pesquisa na Colômbia se concentraram na evolução dos frutos, dada a notável riqueza do país em plantas com flores. Mais tarde, quando me mudei para os Estados Unidos para fazer meu doutorado, novas questões surgiram em torno das estruturas reprodutivas em plantas terrestres: esporângios (samambaias), sementes (gimnospermas e angiospermas), flores e frutos. Foi um ponto de virada na minha carreira, pois passei a me concentrar mais em plantas com sementes. As sementes, como uma estrutura crucial para a reprodução e sobrevivência das plantas, despertaram uma curiosidade mais profunda. Sua complexidade evolutiva e importância continuam a impulsionar meu trabalho.

Há alguma planta ou espécie específica que tenha intrigado ou inspirado sua pesquisa? Se sim, quais são e por quê?
As gimnospermas certamente foram centrais para a minha pesquisa. Quando comecei a estudar os mecanismos envolvidos no desenvolvimento do óvulo e da semente, meu objetivo era explorar o quão bem os reguladores moleculares conhecidos em Arabidopsis são conservadas em gimnospermas. Devemos ter em mente que a maior parte do que se sabe sobre a regulação molecular de vários processos de desenvolvimento provém de estudos em espécies modelo. Arabidopsis thaliana e algumas outras plantas com flores.
No entanto, à medida que minha pesquisa avançava, rapidamente percebi a profundidade do desafio. Os óvulos de Arabidopsis e as de gimnospermas como Ginkgo não são apenas morfologicamente distintos, mas seu tempo de desenvolvimento é drasticamente diferente. Arabidopsis, a polinização e a fertilização ocorrem rapidamente, enquanto nas gimnospermas o intervalo pode durar meses. Isso me forçou a abordar minha pesquisa de forma diferente — adaptando os estudos de expressão gênica às morfologias e estágios de desenvolvimento específicos de cada espécie. Esse processo aprofundou minha compreensão da diversidade reprodutiva em plantas com sementes e reforçou a importância de trabalhar com linhagens diversas.
Você poderia compartilhar uma experiência ou anedota de seu trabalho que marcou sua carreira e reafirmou seu fascínio pelas plantas?
Quando comecei a estudar o desenvolvimento de óvulos e sementes em gimnospermas, tinha um objetivo claro: explorar o grau de conservação de reguladores moleculares conhecidos em ArabidopsisMas quanto mais eu trabalhava com essas plantas tão distantemente relacionadas, mais percebia que seus processos reprodutivos eram fundamentalmente diferentes — não apenas em estrutura, mas também em tempo. Arabidopsis, a transição do óvulo para a semente ocorre rapidamente após a fertilização. Em contraste, nas gimnospermas, o período entre a polinização e a fertilização pode durar meses.
Essa grande diferença significava que a interpretação dos padrões de expressão gênica não podia seguir a mesma lógica entre as espécies. Tive que me adaptar, considerando o cronograma de desenvolvimento e a morfologia únicos de cada espécie. Foi um momento de humildade e revelação — que reafirmou meu fascínio pela diversidade vegetal e me lembrou que comparações significativas exigem uma compreensão profunda do contexto biológico.
Que conselho você daria aos jovens cientistas que estão considerando uma carreira em biologia vegetal?
Incentivo estudantes e pesquisadores em início de carreira a buscarem questões que realmente os cativem. Ao mesmo tempo, recomendo que aprofundem seus conhecimentos em uma técnica específica ou sistema vegetal que esteja alinhado aos seus interesses — algo que lhes permita "encontrar seu nicho". Fazer isso os ajuda a se destacar e a trilhar um caminho único.
Gostaria também de enfatizar a importância da colaboração. A diversidade de perspectivas e conhecimentos estimula a criatividade, e o trabalho colaborativo possibilita projetos que seriam impossíveis de realizar individualmente. Compartilhar conhecimentos e recursos enriquece os resultados da pesquisa e oferece enormes oportunidades de aprendizado e crescimento profissional. Em suma, o trabalho em equipe é uma vantagem — abre novas perspectivas e constrói uma comunidade científica mais forte.

Carlos A. Ordóñez-Parra
Carlos (ele/dele) é um ecologista de sementes colombiano atualmente fazendo seu doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (Belo Horizonte, Brasil) e trabalhando como editor científico na Botany One e como oficial de comunicações na International Society for Seed Science. Você pode segui-lo no BlueSky em @caordonezparra.
