Com o crescimento das cidades, as áreas naturais são substituídas por estradas, edifícios e concreto. Para nós, isso geralmente significa uma melhor infraestrutura urbana. Para a vida selvagem, no entanto, significa ser confinada a pequenas ilhas verdes, como parques e jardins. Nesse ambiente hostil, a vida urbana age como um filtro. Algumas espécies adaptáveis ​​sobrevivem, enquanto outras mais especializadas desaparecem silenciosamente.

Mas essa história não precisa terminar aí. Os espaços verdes urbanos ainda podem sustentar uma surpreendente variedade de vida, incluindo borboletas, se fornecerem os recursos necessários para a sobrevivência dessas espécies. Para um visitante humano, um parque pode parecer apenas um espaço verde. Para uma borboleta, no entanto, é um mundo complexo moldado por plantas, temperatura, umidade e pelo que existe além dos limites do parque.

As borboletas estão intimamente ligadas às plantas ao longo de todo o seu ciclo de vida. Suas lagartas dependem de plantas hospedeiras específicas para crescer, enquanto os adultos dependem das flores para obter néctar e de microclimas adequados para controlar a temperatura corporal. Devido a essa estreita relação, as borboletas respondem rapidamente a mudanças na vegetação, na disponibilidade de água e na estrutura do habitat. Isso as torna excelentes indicadores da saúde ambiental nas cidades.

Estudos anteriores demonstraram que a diversidade de borboletas é frequentemente influenciada pelo que existe a apenas algumas centenas de metros além dos limites de um parque. Outros estudos sugerem que a paisagem urbana mais ampla também importa. Características como a cobertura arbórea, a proximidade de corpos d'água e a forma como os espaços verdes estão interligados podem determinar quais espécies conseguem sobreviver. Áreas próximas à água, por exemplo, são especialmente importantes, pois tendem a ser mais frescas e úmidas, criando condições mais seguras para as borboletas.

Apesar disso, os cientistas ainda discordam sobre uma questão fundamental: em que escala espacial a cidade realmente importa para uma borboleta? Para solucionar essa questão, Nathali Coral-Acosta e o time dela O objetivo era compreender como os parques urbanos sustentam as borboletas e como a cidade circundante influencia quais espécies conseguem sobreviver nesses locais.Eles se concentraram não apenas em quantas espécies estavam presentes, mas também nas características que essas borboletas possuem, como o tamanho das asas, que afetam a maneira como elas se movem e utilizam o ambiente.

No total, foram registradas 15 espécies de borboletas nos 15 parques estudados. A maioria dos indivíduos pertencia a algumas espécies comuns, como... Leptofobia aripa, enquanto quase metade das espécies foram vistas apenas uma vez. Surpreendentemente, três espécies (Aeria eurymediaGlutophrissa drusilla e ferrolhos de sobrepor podem ser usados para proteger uma porta de embutir pelo lado de fora. Alguns kits de corrente de segurança também permitem travamento externo com chave ou botão giratório. Heliconius eratoEspécies de borboletas, geralmente encontradas em altitudes mais baixas, foram registradas na cidade pela primeira vez, sugerindo que a distribuição das borboletas já pode estar mudando, possivelmente devido às mudanças climáticas.

Borboletas encontradas no estudo. Canto superior esquerdo: Glutophilsa Drusilla (Foto por bernardo dupont); Centro superior: Telegonus alector (Foto por Cheryl Harleston López Espino); Canto superior direito: Vanessa Carye (Foto por Kaldari); Meio à esquerda: Lieinix nêmesis (Foto por Dom Henise); Centro: Leptofobia eleone (Foto por Philipp Weigell); Meio à direita: Eantis pallida (Foto por Pavel KirillovCanto inferior esquerdo: Eurema Salomé (Foto por charlie jackson); Centro inferior: Dione glicerina (Foto por Dom Henise); Canto inferior direito: Heliconius erato (Foto por Charles J. Sharp).

Dentro dos parques, a vegetação e o tamanho do parque fizeram uma clara diferença. Parques de médio e grande porte, com árvores mais altas e mais plantas nativas, abrigavam mais espécies de borboletas. Árvores mais altas criam sombra, abrigo e condições mais estáveis, ajudando as borboletas a controlar a temperatura corporal e a se proteger do vento e de predadores. No entanto, essas condições favoreceram principalmente espécies comuns que se adaptam bem à vida urbana, enquanto borboletas mais especializadas lutaram para sobreviver. Árvores e arbustos nativos foram especialmente importantes porque as lagartas dependem de plantas hospedeiras específicas para crescer, demonstrando que ter as plantas certas importa mais do que simplesmente ter muitas plantas.

Quando os pesquisadores olharam além dos limites dos parques, descobriram uma história diferente. Grupos de pequenos parques e parques de bairro próximos uns dos outros aumentaram o número de espécies quando estavam suficientemente perto, mostrando que pequenos espaços verdes podem funcionar coletivamente. Corpos d'água também desempenharam um papel fundamental, principalmente a distâncias de cerca de 750 metros. Borboletas menores tenderam a ficar mais perto de áreas úmidas por serem mais sensíveis ao calor e ao ressecamento, enquanto espécies com maior envergadura conseguiram utilizar melhor as partes mais secas e expostas da cidade.

Em contrapartida, a alta densidade de edifícios próximos a parques reduz o número de borboletas, limitando as plantas que servem de alimento para as lagartas e o néctar para os adultos. Isso confirma preocupações antigas de que o desenvolvimento urbano pode diminuir diretamente a qualidade do habitat, mesmo para espécies comuns.

Em conjunto, esses resultados mostram que as borboletas vivenciam a cidade em múltiplas escalas. O que as beneficia dentro de um parque pode ser diferente do que importa em uma paisagem mais ampla. Portanto, a conservação de borboletas urbanas não pode depender de espaços verdes isolados. Em vez disso, as cidades precisam de parques interligados, vegetação nativa, árvores altas e acesso à água, funcionando em conjunto como um sistema, o que aponta para um planejamento urbano mais inteligente e favorável à biodiversidade.

LEIA O ARTIGO: 

Coral‐Acosta NCastaño JHJiménez DTRUrbina‐Cardona JN. 2025. Efeitos da heterogeneidade da paisagem, dependentes da escala, na diversidade funcional e taxonômica de borboletas em parques urbanos andinos. Ecologia e Evolução 15https://doi.org/10.1002/ece3.72341


Tradução para o português por Victor HD Silva.

Foto de capa: Leptofobia aripa by gailhampshire (Wikimedia Commons).