Imagem: pixabay. com.
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Não, isso não é um apoio tardio e tendencioso para o Referendo escocês sobre a independência da Inglaterra  (que foi rejeitado por aqueles que votaram e assim impediu a Reino Unido tornando-se o anagramaticamente divertido Reino Desatado...). Em vez disso, é o reconhecimento de que – pelo menos na natureza – às vezes as coisas funcionam melhor quando dois parceiros cooperam em vez de trabalharem um contra o outro. Tome por exemplo o corais construtores de recifes – uma simbiose mutualística íntima entre uma alga unicelular, um dinoflagelado e um animal, o coral pólipo. Simplificando, a alga fornece grande parte das necessidades alimentares do pólipo por meio de sua fotossíntese, o que, em última análise, permite que ele faça os enormes recifes de coral. Embora os recifes de corais de águas quentes sejam a base de ecossistemas extremamente ricos e biodiversos, eles são nutricionalmente pobres. Esse 'paradoxo dos nutrientes' - originalmente reconhecido por Charles Darwin (existe algum ramo da biologia que não tenha uma contribuição deste venerável vitoriano?) – tem sido tradicionalmente presumido devido a um ciclo/reciclagem muito rigoroso de nutrientes dentro do ecossistema (e a abundância de simbioses mutualísticas nele, entre outras fatores...). No entanto, uma nova reviravolta nessa história de nutrientes foi recentemente proposta por Orr Shapiro et al. Eles revelaram que, longe de serem estruturas estáticas dependentes dos caprichos das correntes para trazer nutrientes para eles e remover resíduos, o pólipo de coral gera ativamente microcorrentes e redemoinhos que promovem o influxo de nutrientes e a troca de materiais. Usando cílios localizados externamente, essas estruturas em miniatura provocam 'fluxos vórtices' imediatamente adjacentes à superfície epidérmica, o que reduz a camada limite que limita a troca naquele local, facilitando assim o transporte de massa entre os corais e o oceano. E, no caminho de todas as boas descobertas, existem desdobramentos potenciais para outras áreas de estudo. Nesse caso, a equipe postula que a investigação desses cílios situados na superfície pode ser usada como uma alternativa ao estudo de cílios internalizados mais inacessíveis, por exemplo, nas vias respiratórias de animais. Assim, pode haver benefícios imprevisíveis para a biomedicina a partir desse mutualismo marinho fotossinteticamente dependente (eu sei, plantas iluminando o caminho para outras seguirem – de novo!!). Muitas vezes me perguntei o que o pólipo trouxe para esse relacionamento - além de fornecer um castelo de calcário para a alga escrava e trabalhadora. Bem, acho que agora sabemos, e é reconfortante descobrir (finalmente…?) que essa simbiose intrigante é muito mais mútua do que poderíamos imaginar anteriormente.

[Um vídeo desse fenômeno pode ser visto no YouTube. A ironia da internalização do simbionte dinoflagelado – que, como o próprio nome indica, costuma ter flagelos (dois neste caso, como versões muito maiores de cílios) – dentro do pólipo de coral e sua conseqüente perda de seus flagelos, por um lado, e a importância dos cílios do pólipo (pálidas imitações de flagelos?) em e para essa relação, por outro, não é ignorada pelo Sr. P. Cuttings. E este item dá um novo significado à frase 'no chicote' porque o cílio é Latim para cílios… – Ed.]