O ambiente do solo a que as populações naturais de plantas estão expostas é bastante complexo. As bactérias representam os principais atores no solo com números de células que se aproximam de 1 × 109 -1.5 × 1010 por grama de solo constituindo mais de 4000 genomas únicos. Essas bactérias participam fortemente da ciclagem de nutrientes, bem como da interação íntima com as raízes dos esporófitos. As bactérias e as raízes se comunicam por meio de sinais químicos e hormonais, que podem iniciar diretamente mudanças no comportamento e na morfologia da planta. O crosstalk entre a raiz do esporófito e as bactérias e entre as próprias raízes do esporófito é bem estudado. Menos exploradas são as relações potenciais entre gametófitos de vida livre e bactérias do solo.

Em recente artigo publicado em AoBP, Capataz et ai. identificar uma bactéria do solo e explorar seus efeitos no desenvolvimento sexual e rizóide na samambaia Ceratopteris richardiiA geração haploide multicelular das plantas (gametófito) é responsável pela produção de espermatozoides e óvulos. C. richardiiOs gametófitos são de vida livre no solo e podem se desenvolver em machos ou hermafroditas. Essa decisão de desenvolvimento não é geneticamente programada, mas sim determinada pelo ambiente. Um feromônio liberado pelos hermafroditas, chamado anteridiógeno, induz os indivíduos a se desenvolverem como machos. A presença da bactéria Pseudomonas nitroreducens A bactéria bloqueia a indução masculina, resultando em um maior número de indivíduos que se desenvolvem como hermafroditas. Ela também induz o desenvolvimento de rizoides mais longos, porém em menor número, tanto em machos quanto em hermafroditas.
