As plantas são incrivelmente diversas, e os botânicos também! Em sua missão de espalhar histórias fascinantes sobre o mundo das plantas, a Botany One também apresenta os cientistas por trás dessas grandes histórias.
Hoje temos a Dra. Mariana Silva Artur, Professora Assistente do Laboratório de Fisiologia Vegetal da Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen (WUR). O grupo de Artur concentra-se nos mecanismos fisiológicos, moleculares e evolutivos subjacentes à resiliência a estresses extremos — particularmente a dessecação e altas temperaturas — utilizando sementes como principal sistema modelo. Seu grupo busca traduzir suas descobertas em aplicações práticas, como o aumento da resiliência das culturas por meio da melhoria do armazenamento e da qualidade das sementes. Artur é originária de Minas Gerais, Brasil, e mudou-se para a Holanda em 2014 para cursar doutorado no mesmo grupo em que trabalha atualmente. Após concluir o pós-doutorado na Universidade de Utrecht (2018–2020) e na WUR (2020–2023), iniciou sua função atual no final de 2023. Para saber mais sobre seu grupo de pesquisa, visite o site dela. site do produto.
O que fez você se interessar por plantas?
Fiz minha graduação em Biologia na Universidade Federal de Lavras, na minha cidade natal. No segundo semestre, cursei uma disciplina de histologia e anatomia vegetal, e jamais me esquecerei do momento em que vi cloroplastos "dançando" dentro das células das folhas sob o microscópio, um movimento que mais tarde descobri ser causado pelo fluxo citoplasmático, ou ciclose. Foi a primeira vez que realmente senti o quão vivas as plantas são, e fiquei imediatamente fascinada por explorar o mundo vegetal em nível microscópico. Essa mesma disciplina me impressionou novamente quando vi as estruturas elaboradas do pólen e das microalgas. Antes disso, eu simplesmente amava flores, mas conforme meu curso avançava, escolhi mais disciplinas na área de ciências vegetais e fiquei completamente intrigada pela complexidade e beleza das plantas.
O que o motivou a seguir sua atual área de pesquisa?
Durante minha graduação, participei de diversas atividades práticas de pesquisa, incluindo um projeto sobre a germinação de sementes de espécies nativas brasileiras. Gostei muito do trabalho e fiquei ansiosa para aprender mais sobre fisiologia de sementes. Isso me levou a cursar um mestrado em Fisiologia Vegetal na universidade da minha cidade natal, onde tive a liberdade de desenvolver meu próprio projeto. Naturalmente, escolhi estudar sementes, com foco nas alterações fisiológicas e anatômicas envolvidas na perda da tolerância à dessecação durante a germinação. À medida que aprendia mais sobre a importância ecológica, evolutiva e econômica das sementes, fiquei fascinada pela complexidade da tolerância à dessecação e pelos notáveis mecanismos moleculares por trás dela. Essa curiosidade se tornou uma força motriz que me motivou a me mudar para o exterior e cursar um doutorado na Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen. Durante meu doutorado, aprofundei meu conhecimento sobre os mecanismos evolutivos e moleculares subjacentes à tolerância à dessecação em sementes e plantas da ressurreição. Olhando para trás, percebo que a maioria das etapas da minha carreira foi moldada pela minha curiosidade e paixão por explorar a tolerância à dessecação em sementes, tanto em nível fisiológico quanto molecular.

Qual é a sua parte favorita do seu trabalho relacionada às plantas?
O que mais me entusiasma é que sempre há algo novo para descobrir. No meu trabalho atual, estamos explorando como as sementes reagem à dessecação ou a altas temperaturas durante a maturação, áreas que ainda são repletas de incógnitas. Cada nova descoberta me motiva a continuar. Saber que nossas descobertas também podem ter aplicações práticas dá um novo significado ao trabalho. Sinto uma forte responsabilidade em estudar plantas, e essa conexão entre a curiosidade científica e o impacto social me traz realização pessoal e profissional.
Há alguma planta ou espécie específica que intrigou ou inspirou sua pesquisa? Se sim, quais são e por quê?
As sementes sempre me fascinaram por sua notável capacidade de sobreviver sem água. Como a água é essencial para a vida em nível celular, sempre me perguntei por que e como algumas espécies de plantas expõem seus "bebês" (embriões) a um estresse tão extremo. Da mesma forma, as plantas da ressurreição conseguem sobreviver à perda de quase toda a água em suas células, uma característica fundamental para sua sobrevivência em ambientes hostis. O que me impressiona é como sementes e plantas da ressurreição, tão diferentes estruturalmente, compartilham essa incrível capacidade de resistir à dessecação. Sementes e plantas da ressurreição continuam a inspirar meu trabalho. Compreender esse mistério da sobrevivência à dessecação me motiva a explorar as fascinantes estratégias que as plantas utilizam para sobreviver e prosperar em condições extremas.
Você poderia compartilhar uma experiência ou anedota de seu trabalho que marcou sua carreira e reafirmou seu fascínio pelas plantas?
Quando me mudei do Brasil para a Holanda, meu objetivo era claro: eu queria trabalhar com sementes. Então, quando meu orientador de doutorado me designou para um projeto sobre tolerância à dessecação em plantas da ressurreição, fiquei surpresa. Ele costumava brincar comigo durante algumas reuniões de laboratório, dizendo: "Você não vai trabalhar com sementes!", e isso me irritava profundamente. As sementes eram o motivo da minha vinda para a Holanda, e eu era profundamente apaixonada (talvez até obcecada!) por elas. Determinada, consegui incluir um capítulo sobre fisiologia de sementes na minha tese, e esse capítulo foi, na verdade, a inspiração para eu escrever meu primeiro pedido de financiamento, que se tornou a base da minha linha de pesquisa atual. Olhando para trás, encontro muita alegria no meu trabalho com plantas da ressurreição e sou grata por ter sido desafiada. Essa experiência me impulsionou a pensar além da minha zona de conforto. Aprendi que me aventurar em algo inesperado pode, na verdade, ampliar nossa perspectiva e nos fortalecer como cientistas.

Que conselho você daria aos jovens cientistas que estão considerando uma carreira em biologia vegetal?
Mantenha-se curioso e de mente aberta. É importante ser apaixonado pelo que você faz, mas ser flexível com seus objetivos de pesquisa pode ajudá-lo a crescer e encontrar realização como pesquisador. Além disso, seja estratégico em suas escolhas e cerque-se de pessoas que o inspirem, que sejam genuinamente apaixonadas pelo trabalho e em quem você possa confiar para obter conselhos honestos e ponderados sobre sua carreira.
O que as pessoas geralmente erram sobre as plantas?
Frequentemente ouço pessoas dizerem que plantas são chatas, e sempre gostaria de ter um microscópio de bolso para mostrar a elas o quão fascinante pode ser uma única célula foliar! Brincadeiras à parte, acredito que seja parte da nossa responsabilidade, como cientistas, comunicar a importância das plantas, por exemplo, seu papel vital no funcionamento dos ecossistemas e como base dos nossos sistemas alimentares. Penso também que precisamos inspirar a próxima geração de cientistas da área de plantas, compartilhando a maravilha e a importância da biologia vegetal para além dos nossos campos de pesquisa específicos.

Carlos A. Ordóñez-Parra
Carlos (ele/dele) é um ecologista de sementes colombiano atualmente fazendo seu doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (Belo Horizonte, Brasil) e trabalhando como editor científico na Botany One e como oficial de comunicações na International Society for Seed Science. Você pode segui-lo no BlueSky em @caordonezparra.














Mariana S. Artur : "J'ai toujours souhaité avoir un microscópio de poche" - Vent d'Autan
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